(Source: brazoo)
Minha cabeça dói, minha cabeça grita. Meus pensamentos esmurram e esfaqueiam meu cérebro, estou sendo mutilada por dentro. Olho pra frente e essa parede branca me encara e me engole, me levando pra um mundo em que eu não consigo abrir os olhos. Que voz é essa? Que voz é essa que chora meu nome? Eu não posso segui-la. Pra onde vai me levar? Não há respostas, só ouço passos. Tento acompanhá-los, mas não tenho forças pra continuar. Essa parede é sólida demais pra me deixar andar, meus pés não se mexem. Estou presa. Entrei num mundo e não sei sair. Estou presa. Como faço? Ninguém ouvirá meus gritos. Essa solidez, essa dureza. É isso que sou? Sou uma parede? Sou uma parede e agora escuto gemidos de quem não sabe amar.
Giovanna Zambianchi
J.Castro
J.Castro
*
quem
lê
isto
como
lê uma
lista
está
lendo
errado:
a isto
e à
lista
(Michel Consolação)
Ter “opinião própria” é uma mentira de publicidade política que acabou se transformando numa ideia virótica e que não aceita a confrontação direta de suas premissas. Basicamente, a pessoa fica cega aos fatos e às verdades, preenchendo tudo que existe no mundo por aquilo que ela acha que existe. É bem um jeito de viver numa loucura neurótica, mas aceita pelo resto da sociedade.
(Cato Alberico Ribeiro)
Giovanna Zambianchi
Giovanna Zambianchi
Vaner Micalopulos
O olhar que escapa. Há sempre um rabo de olho vadio, desobediente, que escapa de sua comportada órbita – bela imagem: olhos fora de órbita – para olhar o que não deve ser olhado. A cabeça continua reta, a frente da fronte, tentando enganar a quem?, fingindo que todas as atenções continuam voltadas para o ponto que se está indo, mas não, o rabo d´olho mostra que não, escapando do controle superegóico, “não, eu quero olhar, por que não posso olhar?”, bem, olhar pode, o que não pode mesmo é tocar
(Cato Alberico Ribeiro)
Cato Alberico Ribeiro